Estruturação Teórica
Teorias de Comércio Internacional
Comércio Internacional existe por causa das Diferenças de Fatores de Produção entre diferentes países (capital, trabalho, matéria-prima e tecnologia) e por causa das Diferenças de Escala.
Linha Histórica de Longo Prazo:
- MERCANTILISMO: conjuntura de Protecionismo Alfandegário visando a obtenção de superávits comerciais, com Atuação Ativa do Estado (Monarquias) e sob Metalismo, cujo objetivo era o Acúmulo de Ouro e Prata.
- Críticos a este Modelo Padrão: David Hume, Adam Smith e David Ricardo (Visão Clássica Liberal)
VISÃO CLÁSSICA
- Comércio: é justificado quando ambos os lados ganham com a realização da transação
- Objetivo: satisfação das necessidades das nações, e não o acúmulo de metais
Dinâmica de Ajuste Automático da Balança Comercial:
Entrada de Recursos > Aumento de procura > Preços sobem > Exportações caem > Diminui a Entrada de Recursos > Diminui a Procura > Preços caem > Exportações sobem > Entrada Maior de Recursos > Aumento de procura > Preços sobem > ...
IDEIA DE LIVRE CAMBISMO: MERCADOS SE AUTORREGULAM (Pensamento Liberal)
MODELOS CLÁSSICOS:
1) MODELO DE VANTAGENS ABSOLUTAS (Autor: Adam Smith)
- Há 1 único Fator de Produção, o Trabalho (Produtividade do Trabalho como Vantagem Absoluta)
- "Mão Invisível" (a capacidade de autorregulação) > a soma dos interesses "egoístas" gera bem-estar para todos > geração de especialização por determinados bens > Comércio (DIVISÃO INTERNACIONAL DA PRODUÇÃO)
- Países comercializam produtos que Conseguem Gerar a um Custo Inferior, produzindo vantagens para os dois lados
- A ESPECIALIZAÇÃO É GERADORA DE EFICIÊNCIA por causa do fato de que ela estimula uma Maior Produtividade do Trabalho
2) MODELO DE VANTAGENS COMPARATIVAS (Autor: David Ricardo)
- Há 1 único Fator de Produção, o Trabalho
- Crítica às Vantagens Absolutas: se uma nação tiver vantagens absolutas em tudo, não haveria comércio, mas o que de fato se observa é que ainda assim há
- O QUE IMPORTA SÃO OS CUSTOS RELATIVOS, ou seja, o custo de produzir uma mercadoria em termos de outra mercadoria (Custo de Oportunidade como Vantagem Relativa)
- A Especialização das Nações ocorre para a produção daqueles produtos cujos CUSTOS RELATIVOS SÃO MENORES. É uma especialização naqueles produtos que lhe oferecerão uma Maior Margem.
- A VANTAGEM RELATIVA NÃO VAI OCORRER NUNCA PARA TODOS OS BENS DA NEGOCIAÇÃO, um sempre terá vantagem sobre outro.
Exemplo 1: Nação A tem custo de 8 para produzir soja e de 9 para produzir carne, e Nação B tem custo de 12 para produzir soja e de 10 para produzir carne. Portanto: Nação A tem vantagem absoluta em ambos os produtos.
- Custo Relativo da Soja em A: 8 / 9 = 0,89
- Custo Relativo da Carne em A: 9 / 8 = 1,125
- Custo Relativo da Soja em B: 12 / 10 = 1,20
- Custo Relativo da Carne em B: 10 / 12 = 0,83
- Logo: Nação A se especializará em Soja (seu custo relativo é menor do que o de B: 0,89 < 1,20) e Nação B se especializará em Carne (seu custo relativo é menor do que o de A: 0,83 < 1,125)
- Só a título de curiosidade: o custo comparativo de cada produto entre as nações para A é para soja de 0,67 (8 / 12) e para carne de 0,90 (9 / 10), e ela se especializará justamente no que tem valor menor.
Exemplo 2: Nação A tem custo de 3 para produzir alimentos e de 4 para produzir tecidos, e Nação B tem custo de 2 para produzir alimentos e de 3 para produzir tecidos. Portanto: Nação A tem vantagem absoluta em ambos os produtos.
- Custo Relativo da Alimentos em A: 3 / 4 = 0,75
- Custo Relativo da Tecidos em A: 4 / 3 = 1,333
- Custo Relativo da Alimentos em B: 2 / 3 = 0,667
- Custo Relativo da Tecidos em B: 3 / 2 = 1,50
- Logo: Nação B se especializará em Alimentos (seu custo relativo é menor do que o de B: 0,667 < 0,75) e Nação A se especializará em Tecidos (seu custo relativo é menor do que o de B: 1,333 < 1,50)
- Só a título de curiosidade: o custo comparativo de cada produto entre as nações para B é para alimentos de 0,67 (2 / 3) e para tecidos de 0,75 (3 / 4), é menor em ambos, mas ela se especializará justamente no que tem valor ainda menor.
MODELOS NEOCLÁSSICOS:
3) TEOREMA DE HECKSHER-OHLI
ou Teorema de Dotação de Fatores de Produção ou Teorema das Proporções de Fatores
- Há vários Fatores de Produção: o Trabalho e o Capital
- Premissas: (1) tecnologia constante, e (2) não há movimentação de fatores entre países (portanto, não há transferência de tecnologia)
- NAÇÕES SE ESPECIALIZAM EM BENS EM QUE TENHAM FATORES DE PRODUÇÃO ABUNDANTES, pois são estes os Geradores de Custos Relativos Menores. Ou seja: o comércio é determinado pelas diferenças de disponibilidade de fatores de produção (isto é, recursos).
- CRÍTICA INTERVENCIONISTA: DOENÇA HOLANDESA - dinâmica envolveu VANTAGEM COMPARATIVA EM RECURSOS NATURAIS > ESPECIALIZAÇÃO AGRO-PECUÁRIA (agravado por efeitos cambiais causados pela forte entrada de recursos via exportações que acabam sendo prejudiciais porque desvalorizam a taxa de câmbio e assim são inibidoras da produção de outros fatores) > Efeito de Longo Prazo: NÃO INDUSTRIALIZAÇÃO ou até DESINDUSTRIALIZAÇÃO > INIBIÇÃO DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO > TEOREMA DE RYBCZINSKI: aumentos na dotação de um fator geram redução na produção de bens intensivos em outros fatores > NAÇÕES PRECISAM ADOTAR POLÍTICAS PARA REORDENAR A SUA DOTAÇÃO DE FATORES
4) TEOREMA DE HECKSHER-OHLI-SAMUELSON
- Teorema de Stolper-Samuelson: as relações entre os preços relativos dos produtos e dos fatores de produção associados a estes produtos geram Convergência de Preços e Corrigem Distorções.
Dinâmica deste Teorema de Equalização dos Preços dos Fatores:
ABUNDÂNCIA DE UM FATOR DE PRODUÇÃO > CUSTO MENOR > PREÇO MAIS BAIXO > ABERTURA COMERCIAL > AUMENTO DE PROCURA PELO FATOR DE PRODUÇÃO ABUNDANTE > PREÇO DO FATOR SOBE > PREÇO FINAL MAIS ALTO (Processo de Convergência dos Preços dos Fatores)
PARADOXO DE LEONTIEF: ao analisar a economia dos EUA, abundante em capital, esperava que o país exportasse bens intensivos em capital e importasse bens intensivos em trabalho. No entanto, seus resultados mostraram o contrário: os EUA exportavam bens mais intensivos em trabalho e importavam bens mais intensivos em capital, "quebrando" a Teoria de Heckscher-Ohlin que afirmava que era a abundância de fatores de produção o que determinava as trocas internacionais.
Explicações sugeridas: (1) diferenças em qualidade da mão de obra, sendo a dos EUA mais qualificada e produtiva do que a de outros países, tornando as exportações "intensivas em trabalho qualificado"; (2) Protecionismos Comerciais, com tarifas distorcendo os padrões de comércio exterior; e (3) Bens de Capital Embutidos, argumentando que mesmo bens intensivos em trabalho tinham indiretamente tecnologias avançadas e nível de conhecimento técnico diferenciado.
Consequências: o Paradoxo de Leontief estimulou o desenvolvimento de novas teorias sobre comércio internacional baseadas em Diferenciais Tecnológicos e em modelos sustentados na Qualidades de Fatores de Produção.
MODELOS NÃO LIBERAIS:
5) MECANISMO MULTIPLICADOR DE COMÉRCIO DE HARROD
A alternância entre Expansão e Recessão mostra a existência de Pontos de Reversão (turn points) que permitem explicar a inversão de tendência, existindo elementos reguladores que permitem determinar um teto e um piso no que diz respeito à amplitude das flutuações, numa combinação entre reguladores endógenos e exógenos.
Parte do investimento não depende da variação da renda nem de sua taxa de crescimento, porém há variáveis, endógenas ou exógenas, que Podem Reduzir a Influência do Acelerador e a Amplitude das Flutuações: força das políticas públicas sobre a renda domestica com um impulsionador dos resultados de saldo de comércio exterior do país.
6) LEI DE THIRLWALL
NÃO PRESSUPÕE que o crescimento econômico de longo prazo é exogenamente determinado pelo Progresso Técnico e pelo Aumento da Força de Trabalho.
Se os preços relativos não mudam significativamente, é possível ignorar, como primeira aproximação, os efeitos de substituição e Concentrar a Atenção nos EFEITOS-RENDA. Lei de Crescimento da Renda Compatível com um Balanço de Pagamentos Estável.
Y (%) = X (%) * e; onde "Y (%)" é a taxa de crescimento do PNB, "X (%)" é taxa de crescimento das exportações do país, e "e" é a elasticidade-renda da demanda por importações
Dado que o crescimento das exportações de um país depende, neste modelo, fundamentalmente do crescimento da renda do resto do mundo (Y*) e da elasticidade-renda da demanda do resto do mundo para as exportações deste país (e*), a equação pode ser reescrita como:
Y (%) = (Y* x e*) / X (%)
A relação entre a Taxa de Crescimento da Renda do país (Y) comparado com a Taxa de Crescimento da Renda do resto do mundo (Y*) é igual à relação entre a Elasticidade-Renda da Demanda do Resto do Mundo (e*) para as exportações deste país e a Elasticidade-Renda da Demanda do país (e) por importações:
Y / Y* = e* / e
Em resumo: a Taxa de Crescimento de Longo Prazo da Economia superará a Taxa de Crescimento do Resto do Mundo se e somente se a Elasticidade-Renda do Resto do Mundo por suas Exportações for superior à sua Elasticidade-Renda por Importações.
Logo: o crescimento de longo prazo de um país depende das elasticidades-renda das exportações e importações. O debate em torno desta teoria evoluiu para a fragmentação numa abordagem multissetorial. ECONOMIAS PARA SUPERAR TAIS LIMITAÇÕES PRECISAM DIVERSIFICAR A PRODUÇÃO E INVESTIR EM AUMENTO DE PRODUTIVIDADE.
MODELAGEM EMPÍRICA:
7) MODELO DE GRAVITAÇÃO (Modelo de Gravidade): o comércio é determinado pela Distância Entre os Países e pela interação derivada do Tamanho das Economias Envolvidas. Fatores como as Relações Diplomáticas e as Políticas de Comércio adotadas pelos governos de cada país também afetam toda a dinâmica.
* Modelagem elaborada pela primeira vez por Walter Isard em 1954
DINÂMICA DA ECONOMIA INTERNACIONAL
TEORIA DOS CICLOS ECONOMICOS DE DESENVOLVIMENTO
- A Teoria Schumpeteriana defende que a inovação é o principal fator da dinâmica econômica e que os ciclos econômicos são essenciais para o desenvolvimento do capitalismo. Ciclos Econômicos como uma propriedade endógena da economia. As transformações ocorrem quando empreendedores criam tecnologias, produtos ou novas formas de produzir que trazem mudanças duradouras.
- Em 1942 o austríaco Joseph Schumpeter identificou uma faceta importante dos Ciclos Econômicos: o período recessivo leva a um processo de Destruição Criativa (creative destruction), que corresponde a uma desestruturação de organizações e processos antiquados e obsoletos de modo mais acelerado, pela interrupção da pouca sustentabilidade que subsistia nestes negócios não mais competitivos.
PROCESSOS DE INTEGRAÇÃO ECONÔMICA
ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO: é um bloco econômico no qual são eliminadas as barreiras tarifárias e não tarifárias entre os países membros, mas não é adotada uma tarifa externa comum
UNIÃO ADUANEIRA: é um bloco econômico no qual além de serem eliminadas as barreiras tarifárias e não tarifárias entre os países membros, também é adotada uma tarifa externa comum
MERCADO COMUM: é um bloco econômico que se caracteriza por ter livre circulação de fatores de produção e de produtos entre os países membros, não havendo barreiras à circulação de bens, serviços, pessoas e capitais. Foi o estágio inicial da União Europeia.
UNIÃO ECONÔMICA: é um nível avançado de integração econômica entre países, caracterizado por uma completa eliminação de barreiras comerciais e pela coordenação de políticas econômicas fiscal e monetária, havendo para os países membros regras comuns de coordenação das políticas orçamentárias e controles de suas políticas econômicas. É o Caso da União Europeia.
UNIÃO POLÍTICA: é um tipo de Estado criado a partir da união de Estados iniciais menores. Foi o Caso da União Soviética entre 1922 e 1991.
LIVRE COMÉRCIO vs PROTECIONISMO TARIFÁRIO
Livre Comércio Sem Tarifação > Aumenta a Quantidade de Consumo Interno & Diminui a Quantidade de Oferta da Produção Doméstica
Livre Comércio Sem Tarifação > EXPANSÃO DO EXCEDENTE DO CONSUMIDOR & RETRAÇÃO DO EXCEDENTE DO PRODUTOR
Tarifação do Comércio Exterior > Diminuição da Quantidade de Consumo Interno & Aumento da Quantidade de Oferta da Produção Doméstica > DIMINUIÇÃO DO EXCEDENTE DO CONSUMIDOR
Tarifação do Comércio Exterior > Transferência do Excedente do Consumidor = TRANFERÊNCIA AOS PRODUTORES + TRANSFERÊNCIA AO GOVERNO + PESOS MORTOS (Ineficiência)
Marcos Históricos
PADRÃO OURO: Herança do Metalismo Mercantilista
- Sistema Monetário no qual o governo garantia a conversibilidade da moeda em função de suas reservas de ouro (Modelo Não Fiduciário)
- Quantidade de Reservas em Ouro determinava a Oferta Monetária de uma nação
- Vantagens: Estabilidade Monetária e de Preços (controle da Inflação) e conversibilidade evidente (Taxas de Câmbio Fixa dos países)
- Desvantagem: limitação da execução de políticas econômicas pelos governos
GRANDES GUERRAS MUNDIAIS: Abandono do Padrão Ouro, já que as nações necessitavam gerar déficits grandes por causa do financiamento público aos gastos militares crescentes. Como resultado houve Crises Econômicas, Protecionismo crescente, e Redução do Comércio Internacional. Um Reordenamento Mundial foi proposto na Conferência de Bretton Woods, nos Estados Unidos, em 1944.
SISTEMA DE BRETTON WOODS
- Criação do BANCO MUNDIAL (BIRD - Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ambas as instituições vinculadas à Organização das Nações Unidas (ONU)
1) FMI
Objetivos:
- Cooperação Monetária Global e Estabilização Financeira visando sobretudo a estabilidade das moedas.
- Facilitar o Comércio Internacional
- Promover Empregos e Crescimento Econômico, e Reduzir a Pobreza
- DES: Direitos Especiais de Saque (foram criados em 1969, inicialmente sendo só em dólar, mas hoje sendo baseado numa cesta de moedas formada por dólar, euro, libra e iene)
* Pelo Sistema de Bretton Woods, o FMI era responsável pela Manutenção das Taxas de Câmbio Fixas baseadas no Padrão Dólar-Ouro, tendo os DES sido introduzidos posteriormente como um Ativo de Reservas Internacionais para complementar as reservas dos países membros (os DES nunca tiveram um papel de ser uma moeda única, nunca tendo buscado substituir ao dólar).
2) BANCO MUNDIAL
Objetivos:
- Prover Desenvolvimento Econômico através de Empréstimos de Longo Prazo a taxas de juros facilitadas
- Acabar com a Pobreza (Meta de Acabar com a Pobreza Extrema até 2030)
- Melhorar a Distribuição de Renda
- Financiar ações para Mitigar os Efeitos das Mudanças Climáticas, de Pandemias e de Imigrações Massivas
PADRÃO CÂMBIO-OURO / PADRÃO DÓLAR-OURO
- substituição do Padrão Ouro, passando todas as moedas a serem conversíveis em Dólares Norte-Americanos, sem a necessidade de que houvesse reservas em ouro em outros países, a única economia da qual se exigiria a conversibilidade de sua moeda a reservas em ouro seria a dos Estados Unidos (US$ 35 por onça troy de ouro)
- A Conversibilidade Dólar-Ouro foi unilateralmente suspendida pelos Estados Unidos em 1971, em função de suas necessidades de financiamento à Guerra do Vietnã.
ACORDOS INTERNACIONAIS DE COMÉRCIO
- Em 1946 foi assinado o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT, General Agreement on Tariffs and Trade), após uma primeira tentativa que não foi bem-sucedida de criação de uma Organização Internacional de Comércio - OIC. A Rodada do GATT foi concluída apenas em 1948 em Havana, Cuba.
- Cláusula da Nação Mais Favorecida (NMF): princípio que estabelece que qualquer vantagem ou privilégio concedido a um país deve ser estendido a todos os parceiros comerciais de forma imediata e incondicional, sem discriminação. É considerada um dos pilares centrais das Regras de Comércio Internacional
- O GATT regulou as Relações de Comércio Internacional durante 4 décadas
- Em 1994 se deu um novo marco, com a criação da Organização Mundial de Comércio (OMC)
ACORDOS DA BASILEIA
BASILEIA I (!988): determinação de exigências mínimas de capital para evitar riscos de crédito (LIMITES DE ALAVANCAGEM)
BASILEIA II (2004): determinação de 3 pilares, que são (1) capital exigido tem que cobrir também os riscos operacionais (de mercado), (2) definição de regras de fiscalização e supervisão, e (3) exigências de transparência, com a obrigatoriedade da divulgação de dados referentes à gestão de risco (REGRAS PARA SISTEMAS DE RATING)
BASILEIA III (2010): determinação de um aumento das reservas de capital para se proteger de crises sistêmicas, tendo sido uma revisão pós-Crise Subprime (REGRAS PARA ÍNDICES DE LIQUIDEZ E ÍNDICES DE ALAVANCAGEM)
CRISE INTERNACIONAL DE 2008 (Crise do Subprime)
Subprimes: são empréstimos para tomadores que tinham escore baixo, isto é, um alto risco de se tornarem inadimplentes. Tais empréstimos se sustentavam por Garantias de Hipotecas (ou seja, se houvesse inadimplemento, o imóvel era tomado para que a dívida fosse paga).
Ao mesmo tempo, para minimizar os riscos neste mercado, cresce a comercialização de Títulos Securitizados, que agrupavam créditos subprime garantidos por hipotecas em carteiras, de forma que vários agentes compartilhassem pequenos pedaços deste risco. Os títulos securitizados, como geravam remuneração das Securitizadoras aos bancos, não ficavam registrados nos Balanços Contábeis (eram os chamados "Ativos Off Balance", ou seja: "fora do balanço". Assim, não foram percebidos pelo mercado financeiro como risco ao sistema bancário).
Securitizações (Shadow Banking): proporcionaram um "boom" no Mercado Imobiliário, provocando aumento generalizado de preços, já que havia excesso de crédito.
Quando a Inadimplência Subprime estourou, a Oferta de Imóveis disparou sem que houvesse demanda para adquiri-los. Como consequência, os preços despencaram e deixaram de cobrir o valor total de inadimplemento.
Conjuntura:
- Taxa de Juros nos EUA em quedas vertiginosas subsequentes desde o 11 de Setembro de 2001, levando a um excesso de liquidez no mercado, pelo Desestímulo à Poupança e o Estímulo ao Consumo, e levando a uma maior propensão à tomada de risco.
- Aumento da Emissão de Títulos de Dívida Privada para surfar a onda de excesso de liquidez disponível. Evolução de um Mercado de Swaps para trocas de risco e de garantias. Quando os bancos interferiam no negócio era apenas para organizar, estruturar e vender as quotas no mercado.
- Securitizadoras não ficavam sob o "guarda-chuva" de supervisão bancária.
- Crescem as Trocas de Risco de Crédito (Credit Default Swaps), são derivativos nos quais é negociada apenas a diferença apurada entre o valor arrecadado num conjunto de recebíveis securitizado e o valor nominal da carteira.
Dinâmica:
- 2007: início da Quebra de Securitizadoras (Shadow Banking Crash)
- 2008: Quebra do Lehman Brothers, um dos maiores bancos dos EUA
- Quebra Generalizada no Mercado Bancário dos Estados Unidos
- Contágio (Risco Sistêmico) no Sistema Financeiro Internacional, levando a Quebras Generalizadas no Sistema Bancário da Europa
CRISE DA ZONA DO EURO DE 2010
Crise da Dívida Pública dos Países da União Europeia
- Raiz associada à vulnerabilidade financeira gerada pela Crise do Subprime de 2008
- Dificuldade de alguns países de honrar os compromissos de suas Dívidas Externas
- Estopim: Grécia não conseguiu honrar seus compromissos em 2010, recorrendo ao Banco Central Europeu, que fica reticente em fazer o empréstimo.
- Dificuldade dos Países Europeus em Refinanciar suas Dívidas Externas > Desvalorização da Moeda frente ao dólar (Desvalorização Cambial)
- Dificuldade das Instituições da União Europeia de atuar de forma coordenada frente ao Aumento de Endividamento de alguns de seus membros
- Fim da Crise em 2012: Banco Central Europeu é forçado a fazer empréstimos para Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, e Chipre.




Nenhum comentário:
Postar um comentário